Bispo de Angra diz que a criação de uma humanidade nova não é uma utopia irrealizável

Ago 15, 2017 | Em destaque

D. João Lavrador presidiu à solenidade da Assunção de Nossa Senhora e fala da Mãe de Jesus como um modelo inspirador para todos os cristãos “que queiram ser uma resposta” para o mundo atual

O bispo de Angra presidiu esta terça feira à solenidade da Assunção da Virgem ao Céu em Água de Pau, na ilha de São Miguel, e afirmou que a criação de uma sociedade assente “no amor e na generosidade, na partilha e na força dos humildes e dos simples, dos pobres e dos excluídos” não é uma utopia irrealizável.

D.João Lavrador, que presidiu às festas em honra de Nossa Senhora dos Anjos, na freguesia piscatória da ouvidoria da Lagoa, na costa sul da ilha de São Miguel, chamou a atenção para os perigos da sociedade atual.

“Não estará na raiz de todos os males do nosso tempo a perda do sentido do pecado e o deixar-se conduzir pelas paixões enganadoras que são manifestação do maligno na vida pessoal e comunitária e na história?” questionou o bispo de Angra que exorta os cristãos “a denunciar” e a “encarar com fortaleza e sabedoria” a origem de todos os males que afectam sobretudo os mais pobres e vulneráveis da nossa sociedade de forma a contribuírem para a construção da nova humanidade proposta pelo mistério da Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

Para o prelado, perante “os males” da sociedade atual os cristãos são chamados a um novo desafio que é combater “com lucidez e humildade” todos os que “perdem o sentido do pecado”, caem “na sedução do demónio” ou manifestam uma “inclinação para o mal”.

“Se não nos colocamos frente a frente com a verdade acerca do homem, se não nos aceitamos no drama humano que nos pretende dominar, se não deixarmos desenvolver em nós as verdadeiras aspirações que nos conduzem ao encontro de Cristo que nos traz a salvação, ficaremos sem resposta para a pessoa humana e para o mundo”, frisou o responsável pela diocese insular.

No dia em que a igreja católica celebra a solenidade litúrgica da Assunção de Maria, um dogma solenemente definido pelo Papa Pio XII em 1 de novembro de 1950 e celebrado há vários séculos, numa data que é feriado em Portugal, o bispo de Angra apresentou a Mãe de Jesus como “Mãe da Nova humanidade”.

“Não estamos perante uma utopia não realizável, muito pelo contrário, estamos conscientes da esperança que brota de uma fé consciente e operativa. Esta é a hora da intervenção da força renovadora do amor de Deus que espera acolhimento no nosso coração como o teve no ser de Maria de Nazaré”, disse ainda.

“Na Vigem Santíssima e na Sua Assunção, Deus desperta em nós a concretização de um sonho que persegue a humanidade e que urge responder-lhe para bem da pessoa humana. Está no esforço de cada um de nós e de cada comunidade respondermos a este desafio que Deus nos lança através da Sua Palavra e dos gestos da Sua presença no grito de tantos excluídos e abandonados”, prosseguiu João lavrador.

O bispo titular da diocese de Angra desafiou, ainda os cristãos, a inspirarem-se em Maria fazendo do “testemunho e do anuncio” formas “imprescindíveis da experiência cristã e da autêntica fraternidade humana vivida no amor”.

“A glorificação de Nossa Senhora oferece à Igreja a autêntica força para vencer as dificuldades que entravam a sua missão. Ela sabe que apesar de todos os entraves que a confrontam na sua peregrinação histórica é confortada pela presença de Cristo e pela acção do Espirito que a leva a viver na esperança a humanidade nova da qual é já fermento e da qual em germen é portadora”, concluiu.

A Igreja Católica assinala hoje a solenidade litúrgica da Assunção de Maria, um dogma solenemente definido pelo Papa Pio XII em 1 de novembro de 1950 e celebrado há vários séculos, numa data que é feriado em Portugal.

“Declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”, refere a constituição apostólica ‘Munificentissimus Deus’ com a qual se deu a definição deste dogma da fé católica.

Pio XII referia que “não só os simples fiéis, mas até aqueles que, em certo modo, personificam as nações ou as províncias eclesiásticas, e mesmo não poucos padres do Concílio Vaticano pediram instantemente à Sé Apostólica esta definição”.

“Com o decurso do tempo essas petições e votos não diminuíram, antes foram aumentando de dia para dia em número e insistência”, acrescentava.

Os católicos orientais celebram esta festa desde o século V com o nome de “Dormição de Maria”.

No calendário litúrgico da Igreja latina celebra-se, com a categoria de solenidade (a mais importante, além das celebrações dominicais), a 15 de agosto.

A festa da Assunção da Virgem Santa Maria é celebrada como padroeira principal em várias paróquias da diocese de Angra. Em três ilhas, particularmente, a festa é vivida com muita intensidade em várias paróquias, porque assinala também o dia da padroeira.

Em Santa Maria, por exemplo, a festa de verão religiosa é sem dúvida a de 15 de agosto, na Igreja Matriz de Vila do Porto.

Em São Miguel esta solenidade para além de ser vivida em Água de Pau, onde está hoje o bispo de Angra, é também vivida na Ajuda da Bretanha, Fenais da Ajuda e Fajã de Baixo, que celebram as suas padroeiras.

Também na ilha Terceira há três paróquias que esta terça feira acolhem a festa da padroeira: Nossa Senhora da Guadalupe, na Agualva; Nossa Senhora das Mercês na Feteira e Nossa Senhora do Pilar, nas Cinco Ribeiras. Também no Faial, a Praia do Almoxarife recebe a festa de Nossa Senhora da Graça. Nas Flores e no Corvo a Solenidade assume um cariz importante com a festa de Nossa Senhora dos Milagres.

Todas estas festas recordam a importância de Maria para a Igreja e o modelo cristão que Ela inspira.

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