FAÇA FAVOR DE NÃO SE QUEIXAR

Por José Pacheco

Apesar de vivermos há algumas décadas em democracia, muitas vezes fico com a impressão que vivemos uma “democracia do silêncio”. Tudo isto porque sempre que abro a boca para denunciar ou criticar algo, sou surpreendido por dois tipos de reacções: uns, por um lado, os mais amigos, chamam-me a atenção para não dizer certas coisas porque vou ficar “mal visto”, criar “inimigos” e que o melhor é estar calado e ignorar. Por outro lado, os alvos das críticas, ficam-nos com um ódio de morte que até parece que lhes assaltamos a casa e tomam a coisa como ofensa pessoal.

A verdade é que não tive uma educação cívica e democrática que me permita ser permissivo e tolerante a muitas coisas que por ai vejo, que furam claramente as regras de uma vida em democracia e da defesa do cidadão. Quem se achar ofendido por ser criticado deveria fazer uma reflexão muito séria antes de assumir um papel que se sujeite a tal. Nós não somos perfeitos nem infalíveis, mas garantidamente não ganhamos estatuto de santidade intocável quando estamos nos cargos ou lugares de serviço publico.

Sempre me ensinaram, e até incentivaram, que devemos ter uma atitude crítica perante aquilo que nos rodeia, até porque a sociedade não terá qualquer tolerância quando lhes couber o “apontar do dedo” a nós. Certo é, que sempre que pisamos o risco contra a sociedade somos duramente penalizados por ela, quer seja com multas, coimas, restrições, etc. Não menos verdade, é que sempre que o papel se inverte, ou seja, quando é o estado ou os seus agentes agirem de forma errada, somos logo convidados a não nos queixarmos, das mais diversas formas e feitios.

Oiço no dia-a-dia demasiadas queixas sobre demasiadas coisas, mas a verdade é que a maioria dos queixosos são os primeiros a “recolherem à concha” para evitar serem sancionados das formas que já referi, ou até mesmo, perderem algum suposto “beneficio”.

Não consigo compreender como pode a sociedade evoluir quando nos acomodamos e deixamos que nos passem por cima, cilindrando literalmente os nossos direitos. Tudo isto leva a que, seja qual for a instituição, gradualmente ganhe prepotência e incompetência à medida que o nosso papel fiscalizador vai diminuindo.

Precisamos de uma cada vez maior educação cívica e democrática que nos ensine a todos a regular, cumprir e fazer cumprir as regras estabelecidas para uma vida em sociedade, combatendo fortemente a compra dos nossos silêncios.

Finalmente, queixar por tudo e por nada também não é correto e, menos ainda, criticar sem ter a coragem de se propor a fazer diferente ou da forma que achamos mais acertada. Não se confunda liberdade de expressão com difamação ou calunia. E, dentro da nossa liberdade, temos a obrigação de estar disponíveis para fazer melhor do que aqueles que nos falham.

Eu penso assim e quem não concordar está no seu pelo direto, mas faça o favor de não se queixar.

 

José Pacheco in Azores Today

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