“NÃO TENHAIS MEDO DE SER SANTOS”

“NÃO TENHAIS MEDO DE SER SANTOS”

8 de Maio, 2017 0 Por Azores Today

Por José Pacheco

“Não Tenhais medo de ser Santos” foram as palavras que eu ouvi no dia 11 de Maio de 1991, em Ponta Delgada, pela voz do Papa João Paulo II e que me ficaram como mote para a vida.

Infelizmente, vivemos num tempo que até questionamos se valerá a pena sermos “santos”. Vivemos num tempo em que qualquer pequeno gesto em prol dos outros é sempre visto, entendido e descrito como algo maligno, adjetivado de vaidade, arrogância, soberba, etc, etc. Dificilmente estas pessoas poderão compreender que há pessoas que concebem um mundo, uma vivencia, segundo a máxima “fazer o bem sem olhar a quem” ou até mesmo “o que a tua mão direita fizer que a esquerda não saiba”. Dificilmente perceberão que é possível doar um pouco do nosso tempo ao mundo que nos rodeia, seja em que área for, seja com quem quisermos.

Para aqueles que vão lendo estas linhas, certamente pensam que perdi o juízo por completo e agora quero ser um santo. Nunca me passou pela cabeça tal estado de alma, até porque me sinto um ser imperfeito num combate constante contra a imperfeição. Acalmem-se um pouco e tentem perceber as palavras de São João Paulo II. Ser Santo não é estar num qualquer altar numa das nossas belas igrejas, mas sim no altar da vida medindo cada passo, tentando que cada gesto seja no caminho do bem, do respeito, enfim, no caminho dos ensinamentos cristãs que quase todos acreditamos. A santidade deve ser um objetivo na nossa família, comunidade, emprego, nas nossas funções cívicas, sociais, culturais, etc. Se o vamos conseguir, não sei, mas se tentarmos cada vez estaremos mais perto.

Aqui, à minha volta, revejo-me na “santidade” da obra e grande visão que o Padre João Caetano Flores teve para com esta pequena freguesia da Ribeira Chã. Tento imaginar cada pensamento e angustia sentida sempre que tentava dar um passo maior, em prol das suas gentes, mesmo quando muitos duvidavam. O caminho da santidade é certamente angustiante e desafiador, mas no final de cada meta, João via a alegria estampada no rosto dos seus. Nestes momentos, acredito que alcançava a santidade ou parte dela.

Mas não concebo a santidade apenas na minha religião católica. Acredito e defendo que temos grandes exemplos de santidade em muitas culturas e religiões, como exemplos a seguir na nossa vida e nas nossas condutas quotidianas. Como mero exemplo aponto Gandi que não discordarão estar neste patamar.

Muitos dos que me rodeiam já me ouviram diversas vezes pedir em orações pelas outras religiões. Faço-o de forma convicta e segundo as minhas crenças cristãs. Acredito num mundo criado por Deus à sua semelhança com uma pluralidade de sons, tons e orações. Acredito que somos todos filhos do mesmo Pai mesmo que oremos de forma diferente a um Deus com outro nome ou feitio. Esta é a beleza da Criação, a sua pluralidade e harmonia, infelizmente não compreendida por muitos, ao longo da drástica história e, muito menos, nos tempos atuais pelos radicais que envergonham a sua própria religião. Falo daqueles que se assumem islâmicos, mas não o são certamente.

E não me estendo mais neste tema porque penso que aqui posso lançar o desafio a que seja uma reflexão de cada uma das sábias palavras de São João Paulo II: “Não Tenhais medo de ser Santos”.

José Pacheco in Azores Today