Sinto-me um milionário

Sinto-me um milionário

5 de Fevereiro, 2017 0 Por Azores Today

Por José Pacheco

Ainda não foi há muitos dias que celebramos o tradicional Dia de Amigos. Certo é que todos os dias são Dia de Amigos, mas nesta data paramos um pouco para pensar e estar mais eles. Eu não tive grande oportunidade de estar, como queria, com os meus amigos, mas pensei neles todos e fomos trocando mensagens sempre que possível.

Tenho tido a sorte de ao longo da vida de ter muitos e bons amigos. Nasci num tempo em que não existiam amigos virtuais e ter um amigo era algo importante e duradouro. Claro que os tempos são outros e ate usamos a palavra “amigo” quase de forma abusiva, muito à conta das redes sociais.

A verdade é que precisamos de ter amigos que são sempre aquela nossa outra “família” e, como exemplo disto, num momento que tentava solucionar um problema quotidiano ouvi do outro lado do telefone “se for preciso algo, estamos aqui!”, mesmo sem sequer saber do que se tratava. Para mim isto é a verdadeira amizade e lealdade entre pessoas, entre humanos que se respeitam, estimam e se preocupam uns com os outros. Sempre que encontro um velho amigo nas redes sociais que, por circunstâncias várias, não está fisicamente próximo, sinto uma imensa alegria e tentamos, em pouco minutos, recuperar os anos passados como se não nos falássemos, há apenas umas horas.

Seria muito difícil destacar agora um “melhor” amigo, até porque cada um deles ocupa o seu espaço, no seu momento, no seu contexto. No entanto, há um, que já não se encontra entre nós, e que me veio à memória por uma agradável conversa que tive hoje com a Natália, sua esposa. Falo do meu amigo Ernesto Silva.

O amigo Ernesto, mais velho e mais sábio do que eu, sabia com humildade dar-me um bom conselho, contar uma boa história. As nossas conversas, sempre intermináveis, ainda hoje não acabaram, apenas silenciaram-se por uns tempos. É um amigo que guardo com carinho pela amizade que nos unia e pelos pontos de vista comuns. Esta amizade perpetua-se pela sua memória e pelos laços que me ligam à sua família, mas muito especialmente pelos exemplos de vida que sabia dar, quer como pessoa, quer como empresário.

Se soubermos de cada amizade tirar o melhor que nos estão a oferecer seremos pessoas muito mais ricas com o passar dos anos. Esta riqueza não é nossa uma vez que nos foi doada e, assim sendo, temos de a saber transmitir a outros.

Concluindo, sinto-me um milionário pelos amigos que tenho.

Ribeira Chã, 5 de Fevereiro de 2017

José Pacheco