Destino

Destino

12 de Outubro, 2016 Não Por Azores Today
Carlos Melo Bento

Por Carlos Melo Bento

No próximo domingo, traçamos o nosso destino e ninguém tem desculpa a não ser os mortos, os ausentes ou incapacitados. Um dia contaram-me a anedota do micaelense que vai no avião e teima em não apertar o cinto. A hospedeira diz-lhe que o avião pode cair e ele assim não está seguro. – Quero lá saber, isso não é meu! Faz-me lembrar os eleitores que não usam o seu direito de votar. Votar em branco ou nulo é já uma forma de protesto mas ainda assim é dar aos outros o direito de decidir por si. Quem vota é que conta; os nulos e brancos não elegem deputados. É verdade que há açorianos que não se podem candidatar pois nem podem fazê-lo fora dos partidos nem podem formar partido que lhes permita defender democraticamente a independência dos Açores que muitos almejam. Esta democracia não é completa como a espanhola, por exemplo, para não procurarmos muito longe. Mas posta de parte a solução do golpe de estado ou da revolução, os independentistas só parecem ter, por enquanto, uma solução: votar nos candidatos que mais de aproximarem desse seu ideal: autonomia progressiva como defendia Sá Carneiro ou autonomia plena como defende Paulo Gusmão do PPM. Não creio porém que os abstencionistas sejam todos independentistas porque então outro galo cantaria. Nesta campanha há quem defenda o fim da maioria absoluta do PS, ora no governo. As regiões ditas autónomas têm sido governadas por um só partido e não sabemos o que fariam governos que dependessem de rivais assanhados como os que estão aí. O poder só cai democraticamente quando comete erros crassos ou quando não consegue ultrapassar minimamente as crises económicas. Não me parece que se pudesse fazer muito melhor, dadas as circunstâncias. Outra questão é o papel que os líderes nacionais dos pequenos partidos têm desempenhado na campanha, como se não houvesse autonomia, dando a entender com essa atuação o que seria a autonomia governada por eles; já sem virem cá é o que é…