MANOBRAS

MANOBRAS

28 de Setembro, 2016 Não Por Azores Today
Carlos Melo Bento

Por Carlos Melo Bento

MANOBRAS

José Andrade publicou a relação da sua atividade como deputado no Parlamento durante o mandato de 4 anos que termina agora. Primeiro e último. Não se acredita. Quem o conhece de perto sabe que as tarefas descritas são o dia-a-dia dum dos políticos/gestores mais dinâmicos de que os açorianos dispõem. Pode-se discordar da sua orientação ideológica, pode-se não aceitar o método de trabalho cheio de sorrisos e factos consumados, podemo-nos irritar com a sua voz melíflua e suave mas uma coisa há que reconhecer: é o cabouqueiro da política mais laborioso da sua geração e uma preciosa mais-valia para o seu partido e para esta Terra. Curiosamente, a equipa de Duarte Freitas prescinde dos seus serviços como deputado permitindo a explosão duma série interminável de boatos filhos das teorias da conspiração. É que é impossível não fazer a ligação com outro despedimento político: o de Mota Amaral! Ressalvadas as distâncias que vão do fundador da Autonomia Constitucional, unificador do Povo Açoriano, e grande obreiro do início da modernização do Arquipélago, a um dos discípulos mais devotados e ativos dessa política. O que estará por detrás destas decisões que alguém já considerou tiros no pé? Neste momento e a curto prazo a resposta a esta questão é relativamente indiferente pois o que mais importa é saber do efeito eleitoral desses tiros. Será que o partido deles perde ou ganha votos com essas decisões aparentemente catastróficas? Será que as pessoas que votavam PSD por causa deles vão votar noutras pessoas? Paulo Gusmão poderá ser o herdeiro desses votos, atendendo a que é o político que mais se aproxima em São Miguel dos perfis dos dois políticos referidos e que poderá também beneficiar da mesma manobra contra Nuno Barata? Ninguém sabe. Mas o que se sabe é que existem manobras de bastidor nas costas dos eleitores que tiram e põem a seu bel prazer figuras consagradas, com fria e total indiferença pela opinião pública.

Carlos Melo Bento
PS. este artigo foi escrito não para apoiar ninguém ou denegrir qualquer partido ou pessoa. Escrevi-o para tentar defender os superiores interesses do Povo Açoriano. Se alguém se sentir apoiado ou criticado tem de entender que nunca é esse o objetivo de quem assina estas linhas.