Bispo de Angra destaca “figura invulgar” e uma “perda para a igreja e para a sociedade”

Bispo de Angra destaca “figura invulgar” e uma “perda para a igreja e para a sociedade”

12 de Setembro, 2016 Não Por Igreja Acores

Bispo de Angra destaca “figura invulgar” e uma “perda para a igreja e para a sociedade”

Set 12, 2016 | Manchete II

Bispo de Angra destaca “figura invulgar” e uma “perda para a igreja e para a sociedade”

D. Arquimínio Rodrigues da Costa faleceu esta tarde em São Mateus, na ilha do Pico

O bispo de Angra lamenta “profundamente” o falecimento do último bispo português D. Arquimínio Rodrigues da Costa, que faleceu esta tarde na ilha do Pico, Açores, aos 92 anos de idade.

“Foi uma figura invulgar” e a sua morte representa “uma perda para a igreja e sociedade”, disse ao Sítio Igreja Açores D. João Lavrador.

“Do ponto de vista pessoal foi um exemplo de pastor e recordo, sobretudo depois da sua resignação, a forma humilde e simples com que continuou ao serviço da igreja regressando à sua terra natal e ajudando nos trabalhos da paróquia”.

D. Arquimínio Rodrigues da Costa é natural do Pico, onde nasceu, cresceu e haveria de morrer, depois de ter estado acamado, com uma saúde muito fragilizada já há alguns anos, sendo acompanhado por uma sobrinha a quem “a diocese e eu particularmente agradecemos de uma forma muito especial pelo carinho e conforto que deu ao D. Arquíminio que nunca ficou privado do calor e da proximidade familiar” disse ainda o prelado.

Para o ouvidor eclesiástico do Pico, Pe Marco Martinha, o momento também é de consternação.

Terá sido porventura o sacerdote que nos últimos anos mais próximo esteve do bispo emérito de Macau.

“Todos os domingos lhe levei a comunhão e a forma devota como comungava o corpo de Cristo, mesmo no leito do sofrimento, mostrava bem a sua devoção eucarística” refere o sacerdote em declarações ao Sítio Igreja Açores.

“Era um grande bispo, um grande homem, um grande cristão e um bom amigo” referiu ainda lembrando quer o contacto que teve com ele como seminarista quer depois como pároco e ouvidor eclesiástico da ilha do Pico.

“Era um homem que na sua simplicidade e humildade prestou um enorme serviço à igreja”.

O funeral de D. Arquimínio será amanhã, no Santuário do Senhor Bom Jesus do Pico, em São Mateus, onde ficará já esta noite em câmara ardente.

O bispo emérito de Macau, último bispo português da região, D. Arquimínio Rodrigues da Costa fixou residência na ilha do Pico, na freguesia de São Mateus, em janeiro de 1989.

O pedido de resignação de D. Arquimínio Rodrigues da Costa foi aceite a 6 de outubro de 1988 pela Santa Sé e um mês depois foi condecorado com o grau de Grã-Cruz da Ordem de Mérito, por Aníbal Cavaco Silva, então Primeiro-Ministro, a 7 de novembro.

O Governo português já tinha condecorado o agora bispo emérito de Macau com o grau de Grande Oficial da Ordem de Benemerência, a 10 de junho de 1984, e a Universidade da Ásia Oriental de Macau atribuiu-lhe o título Doutor Honoris Causa em Filosofia em 1986.

O prelado nasceu a 8 de julho de 1924, em São Mateus, na ilha do Pico e “quando aprendeu as primeiras letras”, refere o sítio informativo da Igreja de Angra, foi levado para o seminário de São José, em Macau, “onde fez com distinção todos os seus estudos eclesiásticos completando teologia em junho de 1949”.

“Professor competentíssimo, sacerdote cheio de humildade, é tido como poliglota, com destaque para o mandarim e cantonês, em que fala e prega fluentemente”, destaca a referida nota.

Foi ordenado sacerdote quatro meses depois da conclusão dos estudos, a 6 de Outubro de 1949.

  1. Arquimínio Rodrigues da Costa frequentou também o curso de direito canónico, na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, Itália, e concluiu a licenciatura em 1959.

Segundo o sítio Igreja Açores, a Igreja Católica de Macau viveu “tempos conturbados” com a Revolução Cultural chinesa de Mao Tse Tung e os “os alunos do seminário, e os professores foram transferidos para o território vizinho de Hong Kong”.

O sacerdote português foi nomeado bispo de Macau pelo Papa Paulo VI, em 1976, depois de ter sido nomeado governador do bispado em 29 de Agosto de 1963 e depois em 1965, no período do Concílio Vaticano II.

Fonte: Igreja Açores