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Quarta-feira , 20 Junho 2018

EMBARCAÇÃO DE PESCA DA CALOURA “RAINHA IEMANJÁ”, NAUFRAGOU

11137106_10153286066158096_7418741715840851853_nPor Roberto Medeiros

EMBARCAÇÃO DE PESCA “RAINHA IEMANJÁ” DA CALOURA NAUFRAGOU
O Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada, em articulação com a Capitania do Porto de Ponta Delgada e com a Força Aérea Portuguesa, coordenou durante a madrugada de domingo, 31 de Janeiro de 2016, a operação de busca e salvamento dos quatro tripulantes da embarcação de pesca da Caloura “Rainha Iemanjá”, que naufragou junto à costa, próximo da freguesia dos Ginetes, ilha de S. Miguel.

O alarme automático, emitido pelo rádio baliza (EPIRB) da embarcação, foi recebido pelo Centro de Busca e salvamento de P. delgada, pelas 2.05 horas da madrugada, tendo de imediato sido activados e encaminhados para o local os meios da Autoridade Marítima Nacional (AMN), a corveta “António Enes” da Marinha Portuguesa e os meios aéreos da FAP destacados na Base Aérea nº 4 nas Lages, concretamente o avião C-295M e o helicóptero EH-101 Merlin.

Após o avistamento da rádio baliza pela embarcação salva-vidas da Capitania de Ponta Delgada, o helicóptero localizou os 4 tripulantes nas rochas. Dadas as dificuldades de acesso ao local por mar e por terra, o salvamento só foi possível efectuar por meio de helicóptero, tendo o mesmo ocorrido cerca das 07hoo horas da manhã, quando as condições de visibilidade permitiram a realização da operação de resgate.

A evacuação dos náufragos foi executada com sucesso, tendo o helicóptero aterrado no Aeroporto de Ponta Delgada por voltas 08h00 horas. Os quatro náufragos foram posteriormente transferidos para o Hospital do Divino Espirito Santo , com apoio de várias ambulâncias do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores.

As condições meteorológicas na zona de operações eram de vento fraco de sul e ondulação de noroeste com cerca de um metro.
A embarcação “Rainha Iemanjá” que naufragou tinha sido fiscalizada no dia anterior a ter saído para o mar e apresentava todas as condições para poder desenvolver a sua actividade marítima. Maria de Lurdes Batista é a proprietária e os pescadores tripulantes evacuados foram, Anibal Batista (mestre da embarcação), António Batista (ambos filhos da proprietária), José Liberal Medeiros e Carlos Tavares Batista.

Lurdes Batista tem lutado muito ao longo da sua vida para manter a sua embarcação no mar. Antes o marido António Batista foi por muitos anos o armador da embarcação, mas por motivo de doença, não pôde continuar na profissão que aprendeu com seu pai ainda de tenra idade.
Na impossibilidade daquele, Lurdes Batista, sua esposa, abraçou o desafio e todos sabem no Porto da Caloura que a pesca não lhe tem sido tão favorável como no passado, nem a mais nenhum outro armador da Caloura também. A falta de pescado e as quotas de pesca condicionadas autorizadas a cada embarcação não ajuda nada na economia familiar dos pescadores.

Aníbal Batista, o filho mais velho também é armador e foi um dos pescadores tripulantes evacuados quando o “Rainha Iemanjá” naufragou. Tanto ele como os outros três da companha dão graças a Deus terem se salvado, mas recordam em sobressalto a agonia de tentarem fundear, sem sucesso, a ancora para evitar que a embarcação fosse atirada contra as rochas quando o motor parou por avaria. Na aflição enquanto tentavam que a ancora se agarrasse a algo no fundo, outros tentavam reiniciar o motor e …quando deram por si, já estavam nas rochas e nada mais podiam fazer do que ter a lucidez de activar o alarme automático do rádio baliza (EPIRB). Foi o que os salvou.

Lurdes Batista, sempre foi uma mulher da Pesca Artesanal da Vila de Água de Pau. Ela lidera um movimento que representa as mulheres na Pesca Artesanal dos Açores. Em 23 de Julho de 2011 Lurdes Batista viu reconhecido o esforço desenvolvido pelas mulheres na consolidação do seu papel no sector da pesca pela Comissão Europeia .

Ainda recentemente desenvolveu acções junto dos pescadores com barcos de boca-aberta ou artesanal, alertando-os para terem nas suas embarcações o equipamento rádio baliza (EPIRB) que emite o alarme automático, em casos extremos, como este que aconteceu à sua embarcação “Rainha Iemanjá”. Ironia do destino, a sua embarcação era a única no Porto da Caloura a ter aquele equipamento e foi a primeira a testá-lo, infelizmente.

Se é verdade que todos os tripulantes se salvaram e ainda bem, porém, neste momento difícil que a família Batista e os outros tripulantes atravessam, esperamos que a companhia seguradora e a solidariedade do Governo Regional possa dar um passo em frente para ajudar essas famílias que vivem em aflição.

Quem vive próximo da comunidade piscatória é que sabe como eles se fazem fortes e felizes, mesmo em tempo de adversidade….Mas nós sabemos que não é verdadeiro aquele sentimento. E, por isso devemos estar atentos e apoiá-los, naquilo que pudermos.

Reuni algumas das imagens da sua actividade piscatória durante os últimos anos e publico, para que fique na nossa memória esta linda embarcação do Portinho da Caloura, da família Batista, que espero voltar a vê-la de novo num futuro próximo com outra embarcação. Que Deus os ajude e quem de direito, porque bons pescadores, trabalhadores, destemidos e lutadores na sua arte sempre foram!

RoberTo MedeirOs – Natural da Vila de Água de Pau e Amigo dos Pescadores da Caloura.

EMBARCAÇÃO DE PESCA “RAINHA IEMANJÁ” DA CALOURA NAUFRAGOU O Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de…

Publicado por Roberto Medeiros em Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016