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Quinta-feira , 21 Junho 2018

Riqueza marítima dos Açores não se mede em quilómetros quadrados, afirma Brito e Abreu

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou, em Angra do Heroísmo, que “a riqueza marítima dos Açores não se mede apenas em quilómetros quadrados de mar”, referindo-se às potencialidades da exploração dos recursos do mar profundo, nomeadamente minerais e genéticos, com aplicações em setores como a cosmética, saúde, farmacêutica, alimentação e tecnologias limpas.

“Devemos olhar para o mar não só como uma base importante da nossa economia regional, mas também como património histórico e cultural e como um desafio para o conhecimento científico”, frisou Brito e Abreu, salientando que “conhece-se melhor a superfície lunar do que o fundo dos mares abaixo dos 2.000 metros de profundidade”.

Fausto Brito e Abreu falava sexta-feira na abertura do painel ‘O Mar dos Açores: Valorização do Património Marítimo no Atlântico, organizado pelo Departamento de Ciências Físicas e Naturais da Escola Básica e Integrada de Angra de Heroísmo, no âmbito da XIV Semana da Ciência.

Na sua intervenção, afirmou que “os Açores são um sítio privilegiado para desenvolver conhecimento científico ligado ao mar”, defendendo a necessidade de serem implementadas no arquipélago novas atividades da economia do mar.

“A aquacultura deverá desenvolver-se a breve trecho nos Açores”, frisou, acrescentando que “temos de domesticar o nosso peixe e ser capazes de o produzir com qualidade para satisfazer necessidades crescentes de consumo e proteger os recursos marinhos”.

O Secretário Regional do Mar salientou ainda a relevância que o património baleeiro assume em termos culturais e económicos na Região.

“Conseguimos manter viva a cultura ligada à caça baleia não só através de museus e da recuperação de botes baleeiros, mas também revitalizando a relação que temos com o mar e com as baleias e os golfinhos”, disse.

Nesse sentido, salientou que a indústria de observação de cetáceos e o turismo marítimo “gera hoje mais empregos e mais riqueza do que a antiga indústria de caça à baleia alguma vez rendeu”, acrescentando que os Açores são “um exemplo para o mundo” de como é possível “entrar em equilíbrio com os ecossistemas e garantir o desenvolvimento da economia”.

O Secretário Regional referiu ainda que os Açores enfrentam o “desafio duplo” de manter a qualidade ambiental e de conhecer “um vastíssimo espaço [marítimo] desconhecido, desenvolvendo ao mesmo tempo novas oportunidades de crescimento económico ligadas à exploração dos fundos submarinos, turismo marítimo e aquacultura.
GaCS/GM