Temos a responsabilidade de conservar e conhecer o nosso património marítimo, afirma Brito e Abreu

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou hoje, em Angra do Heroísmo, que, nos Açores, o mar e as pescas “transcendem a dimensão económica”, sendo em muitos casos “um modo de vida”.

Fausto Brito e Abreu salientou que, no arquipélago, “mais de 3.000 pessoas fazem da pesca o seu modo de vida, utilizando técnicas artesanais e barcos feitos, na sua maioria, em madeira, com técnicas de construção naval tradicionais”, considerando que a pesca também constitui “um património imaterial”.

“Se tivéssemos uma abordagem puramente económica ao setor, teríamos perdido este caráter genuíno e muito da dimensão cultural e sociológica das pescas”, frisou o Secretário Regional, que falava na sessão de abertura do colóquio internacional ‘Explorar o Atlântico: Fronteiras no Espaço e no Tempo’, organizado pelo Centro de História de d’Aquém e d’Além Mar, defendendo a necessidade de uma “visão multidimensional e integrada das atividades do mar” na Região.

Brito e Abreu apontou como exemplo a cultura baleeira “que nos chegou através do mar, vinda da América do Norte no século XIX, tendo o seu pico e o seu declínio no século XX”, acrescentando que, apesar de se ter deixado de caçar baleias nos Açores, esta cultura se manteve viva.

“Através de núcleos museológicos e das regatas em botes baleeiros, a cultura baleeira ainda perdura”, frisou, acrescentando que atualmente a indústria de observação de cetáceos, que utiliza vigias em terra, representa “mais de 50 milhões de euros de volume de negócios por ano nos Açores, o que significa que hoje a baleia viva vale mais do que valia a baleia morta”.

O Secretário Regional do Mar apontou também o mergulho amador como “uma área em crescimento” no arquipélago, destacando a mais-valia da classificação de parques arqueológicos subaquáticos.

Brito e Abreu salientou ainda que o Executivo Açoriano “tem feito um esforço na conservação do ambiente marinho através de áreas marinhas protegidas e projetos de proteção ambiental”.

“Temos a grande responsabilidade de conhecer o nosso património marítimo e de investir no conhecimento e na investigação da forma mais abrangente possível”, afirmou.

Na sua intervenção, o Secretário Regional afirmou que, “na coordenação das políticas do mar, o Governo dos Açores tem uma visão holística, não encarando o mar apenas como fonte de recursos, de emprego e dinheiro, mas também como parte integrante da nossa identidade e da nossa cultura”.

O governante lembrou que “Portugal tem mais de 50% da área marítima sob jurisdição comunitária, integrada na União Europeia, sendo que os Açores têm mais de 50% do mar português”.

Nesse sentido, considerou ser “natural que os Açores tenham uma responsabilidade especial no desenvolvimento de políticas europeias ligadas à ‘Economia do Mar’”.

“Se olharmos para o futuro creio que continuaremos a ter o mar como uma das nossas principais dimensões de desenvolvimento”, afirmou, acrescentando que, no futuro, a posição geográfica dos Açores, próxima da crista dorsal media atlântica, será “um ponto estratégico para explorar os vastos recursos do mar profundo, que ainda são em grande parte desconhecidos, nomeadamente recursos minerais e genéticos”.

O colóquio internacional ‘Explorar o Atlântico: Fronteiras no Espaço e no Tempo” reúne participantes de diferentes áreas, como a história, a economia, a política, a cultura e as ciências naturais, que vão debater durante três dias a importância do oceano enquanto “última fronteira de exploração de recursos e o último espaço do planeta Terra à espera de ser conhecido e conquistado”.
GaCS/GM

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