A FILARMÓNICA CANINA DA CALOURA | UM ESPECTÁCULO!

A FILARMÓNICA CANINA DA CALOURA | UM ESPECTÁCULO!

15 de Novembro, 2015 Não Por Azores Today

11137106_10153286066158096_7418741715840851853_nPor Roberto Medeiros

A FILARMÓNICA CANINA DA CALOURA | UM ESPECTÁCULO!

Nunca ouviu? Gostava de ouvir? Então mude sua caminhada na Caloura, de dia, para tarde da noite! Assim, poderá desfrutar e apreciar algum dos números, peças ou “ordinários” da “Filarmónica Canina da Caloura”, uns mais originais e outros, nem tanto. A originalidade e a diferença desta filarmónica está, é, no facto dos seus “músicos” não estarem todos juntos, mas dispersados entre si, desde 5, 10, 20, 30 …100, ou mais metros de distância! No entanto, correlacionam-se e afirmam-se em sintonia invejável.

Estamos a falar de cães, certo? Então tomem nota, se por acaso quiserem mesmo matar a vossa curiosidade. Como tudo tem um princípio e nada nasce do nada, conheçamos a história um pouco melhor.

Desde os primórdios da Caloura e ainda antes de assim se chamar, era conhecido este lugar por Vale de Cabaços. Sabe-se que, em 1522 algumas meninas que fugiram de casa de seus pais em Vila Franca vieram ali parar, instalando-se junto ao portinho, numa pequena capela para se dedicarem à oração e à penitência. Desde essa altura, a Caloura nunca mais deixou de ser lugar de interesse e em particular, para muita gente, de fora da Vila de Água de Pau, sim que Vila já era desde 1515.

Ainda hoje é assim. A Caloura tem gente de diversas nacionalidades e portuguesas, não oriundas da Vila de Água de Pau, a viver todo ou em parte do ano neste lugar. Todos gostam deste lugar e anseiam poder ter “um cantinho” na Caloura. Por toda a Caloura também há muita gente de Água de Pau, a viver ou com “propriedades sem habitação”.

É nestas propriedades sem habitação, com ou sem casotas de apoio rural às culturas lá existentes, que estão fixados “os músicos-caninos” da tal “Filarmónica Canina da Caloura” que atrás comecei por falar.

Se, os que “felizes” forasteiros, ou não, conquistaram um espaço na Caloura onde vivem e apreciam o seu microclima, outros há que tendo esse espaço, vivem longe dele, fomentam a manutenção de uma filarmónica canina na Caloura! Como?

Colocando cada proprietário, no seu prédio, vinha, pomar, ou quinta, um, dois ou mais cães, de diferentes raças e tamanhos. Todos amarrados mas com voz livre, aliás, com seus instrumentos vocais disponíveis sem restrição e afinados, como se quer numa filarmónica! Como são de diferentes raças, têm também sonoridades diferentes, por isso completam-se. Os sons, ou melhor os latidos formam um conjunto harmonioso chegando ao ponto de se reproduzirem como se fossem, Clarinetes, Flautas, Saxofones, Trombones, Trompas, Trompetes, Tubas, Fagotes, etecetera.

A articulação dos vários graus tonais se faz através da utilização de um mecanismo – sem compasso de espera – de começa aqui, continua ali, e acaba acolá, para a seguir recomeçar de novo ali, aqui e acolá e…é uma alegria!… E, quando damos por isso, venho eu mais a minha família para as janelas, durante a noite, ouvir o concerto. Se não gostamos do que ouvimos, voltamos para dentro. Mais tarde, regressamos ao camarote, ou seja, à janela desculpem, se a próxima peça é mais do nosso agrado! Dito assim, até parece engraçado! Epá, mas eu já estou farto daquela música! Eu já ouvi tudo o que o regente deles lhes ensinou. Já não há batuta que os consiga mudar de música?!

Agora, os que executam, por exemplo, os dois tipos de trombone: o de pistão e o de vara já me soam a “superbone”. Os de Saxofone, parecem chaves a abrir e a fechar a porta lateral da igreja de Água de Pau, com aquela matraca que se houve no fim do Valverde de Baixo! Os da Trompa, os trompistas, evocam-me já as cerimónias ligadas ao Ano Novo e à Festa da Expiação. Depois, os do Trompete, os trompetistas, a emitir um som como cornos de animais para amplificarem o som. Agora os da Tuba, carédincruz (! ) que força!…cabe aos Tubistas o fundamental papel de suporte harmónico na Filarmónica Canina da Caloura.

Os meus dois cães (desamarrados, já se sabe & bem entendido!) também entram (quer eu queira ou não) na Banda ou filarmónica (que é mais fino!) e executam a sua parte mesmo à revelia do regente. Então o maior, faz de “Tuba” e o mais pequeno de “Requinta” e por vezes “Contrabaixo”. Apetece-me mandar calá-los, mas não posso, senão desequilibraria a filarmónica e então tenho de me amanhar, claro está! Algumas vezes eles até se calam, mas depois recomeçam para serem solidários com os outros, por lá deixados amarrados, pelos seus donos!

CONVITE À COMUNIDADE
Meus caros amigos, a “Filarmónica Canina da Caloura” só pode ser ouvida à noite, no Cinzeiro-da-Caloura, por exemplo, entre as 9:00 horas da noite e as 4:00 horas da madrugada! É um longo concerto, por isso, leve banca ou cadeirão, mas não pode caminhar entre os espaços de actuação dos caninos, para não os interromper nem perturbar. Mantenha-se afastado, porque poderá ser – mordido – por incomodar!

RoberTo MedeirOs – Caloura, Vila de Água de Pau.