Câmara assina protocolo com Associação para a Recuperação do Desperdício e contribui para ajudar famílias carenciadas

A Câmara de Ponta Delgada e a “Dariacordar” assinaram hoje um protocolo de colaboração que visa o combate ao desperdício na alimentação e a consequente ajuda a famílias carenciadas do concelho, sendo a primeira dos Açores a entrar no projeto “Desperdício Zero”.
Assinado pelo Presidente do Município, José Manuel Bolieiro, e pela Vice-presidente da “Dariacordar – Associação para a Recuperação do Desperdício”, o protocolo prevê a recolha dos excedentes alimentares gerados na restauração do concelho. Nesta primeira fase do projeto, são abrangidas as freguesias de São Roque e São Pedro.
Os alimentos recolhidos serão canalizados em benefício das pessoas e agregados familiares que deles necessitam, por intermédio das organizações que já trabalham no terreno.
“Desperdício Zero” é o nome do programa, que se assume como um complemento às respostas eventualmente já existentes no território do âmbito e da competência da Câmara Municipal de Ponta Delgada e tem ainda como objetivo redistribuir, reduzir e reciclar, os excedentes alimentares aí existentes, contribuindo assim para a sua sustentabilidade social, ambiental, económica e cívica.
O protocolo tem como finalidade o estabelecimento de ações de cooperação e facilitação entre as partes, com o objetivo de conseguir canalizar a maior oferta possível de doação de excedentes alimentares em prol do Município e, assim, facilitar e apoiar a que as mesmas cheguem a quem delas efetivamente necessita.
A Autarquia compromete-se a promover ativamente a expansão do Movimento “Zero Desperdício” através da adesão dos seus parceiros nas áreas económicas, sociais, institucionais, ambientais, turísticas (restauração e hotelaria), saúde e outras, além de assegurar a fidelidade e o cumprimento do Modelo seguido pela Dariacordar nas diversas réplicas desta iniciativa.
Paralelamente, irá contribuir para os meios necessários e inerentes ao bom funcionamento da parceria, nomeadamente logísticos, humanos e outros, assim como monitorizar e reportar à “Dariacordar”, mensalmente, as quantidades de alimentos doados por instituição beneficiária, bem como o número de pessoas e/ou agregados beneficiários.
Assumirá, por outro lado, o combate ao desperdício também nas suas próprias instalações de refeitórios, eventos que organize ou que licencie a terceiros, promovendo, em parceria, políticas e práticas com as entidades beneficiárias. Aqui, o objetivo é aumentar a qualidade de vida e a capacitação das pessoas/agregados carenciados abrangidos pelas sobras, combatendo as causas e interrompendo a situação de dependência e necessidade.
Entretanto, as entidades que farão a recolha dos excedentes alimentares (IPSS e organizações sem fins lucrativos), vão definir o tipo ou género de produtos cozinhados que têm capacidade de gerir em termos de logística, armazenamento, e recursos humanos profissionalizados ou voluntários e vão, também, recolher os dados, analisar e selecionar as famílias necessitadas que vão beneficiar dos desperdícios alimentares, articulando com as respostas similares existentes no território da Autarquia.
Em todo este processo, que irá cumprir os princípios higio-sanitários em vigor, as entidades recetoras assegurarão que a recolha, transporte, acondicionamento, distribuição e entrega dos produtos alimentares seja efetuada por pessoas devidamente identificadas como suas colaboradoras e com formação adequada para o efeito.
Quanto ao papel da “Dariacordar”, este passa pela co-promoção e co-angariação da maior oferta possível de bens alimentares excedentes no concelho de Ponta Delgada, em parceria com a Autarquia, tendo em consideração as práticas que a este nível estão instaladas, por intermédio de parcerias a celebrar com os operadores do sector alimentar da área.
A mesma associação vai co-apoiar e co-articular, em parceria com a Câmara, com fornecedores de bens e serviços complementares e necessários para que as sobras sejam doadas e entregues com eficácia por intermédio de parcerias a celebrar com as empresas de abastecimentos, combustíveis e outras de que se necessite.
Da parte da Câmara, a gestão do protocolo será assegurada pela Vereadora da Ação Social, Fátima Rego Ponte, ou por Margarida Pais, Chefe da Divisão de Desenvolvimento Social, enquanto da parte da Dariacordar, estão designados para o efeito António Costa Pereira e Paula Almeida Policarpo.
Após a assinatura do protocolo, José Manuel Boleiro afirmou que a Câmara incentivou e facilitou o relacionamento entre a Associação “Dariacordar” e a Associação Seniores de São Miguel para que este projeto de combate ao desperdício (“Desperdício Zero”) seja implementado em Ponta Delgada.
Segundo adiantou o Presidente da Autarquia, “somos também um elemento facilitador da identificação dos potenciais dadores, designadamente do excesso alimentar. Assim, também identificamos aqueles que têm excesso de carências alimentares e precisam desse tipo de ajuda”.
Ao mesmo tempo, sustentou, a Autarquia, facilita “o encontro de outras entidades que possam, depois, assegurar uma distribuição dos alimentos e uma receção higio-sanitária sem mácula”.
“Por isso, estou muito satisfeito. Nós somos pioneiros nos Açores. Queremos que isto se replique por todas as autarquias dos Açores, onde há necessidades e oportunidades de recolha dos excessos para combater os desperdícios” – frisou, acrescentando que “estamos num tempo em que importa fazer uma boa distribuição da riqueza e trabalhar para que a produção em excesso não seja um desperdício mas antes uma oportunidade para aqueles que tenham carências alimentares”.
De referir que a Autarquia assinou, entretanto, uma declaração com a Associação Seniores de São Miguel (ASSM), que será intermediária em todo este processo e que vai definir o tipo ou género de produtos cozinhados que têm capacidade de gerir em termos de logística, armazenamento e recursos humanos profissionalizados ou voluntários, além de garantir a recolha das refeições e a sua distribuição.
À ASSM, através da coordenação de Isabel Cássio, cabe ainda assegurar que a recolha, transporte, acondicionamento, distribuição e entrega dos produtos alimentares seja efetuada por pessoas devidamente identificadas como suas colaboradoras e com formação adequada para o efeito.

Fonte: Câmara Municipal de Ponta Delgada

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Fonte: RTP Açores (clique neste link para ver o video)