Perguntas que não precisam de 200 euros…

– O documento que Sérgio Ávila apresentou segunda-feira no parlamento açoriano era o “Plano e Orçamento para 2018” ou a continuação da famosa “Popota, a Lenda Pop do Natal”?
– Os milhões que dizem que vão ser investidos no porto de Ponta Delgada é para a bagacina que vai cobrir as covas e os buracos do molhe ou para construir depósitos para gás natural?
– Depois de ter dito que o problema da ruptura de medicamentos no Centro de Saúde da Ribeira Grande estava resolvido e de ter desvalorizado a denúncia da Ordem dos Enfermeiros, o Secretário Regional da Saúde acaba de anunciar a criação de um Gabinete… para gerir a ruptura de medicamentos!
Vai criar também um Gabinete para gerir a ruptura da Sinaga?
– Outro Gabinete foi criado em Santa Maria, para uma alegada plataforma com a Graciosa. É verdade que antes do concurso público para a ocupação do Gabinete, um ex-deputado do PS já tinha lá colocado a sua secretária e computador?
– O Governo Regional acaba de anunciar que vai apresentar uma Estratégia de Combate à Pobreza e Exclusão Social para os próximos dez anos. Em 2010, Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social, já tinha apresentado um “Plano Regional” sobre a mesma temática. Os dez anos são a contar daquela altura ou começa agora tudo de novo?
– A desorientação do governo de António Costa transmitiu-se por contágio ao governo de Vasco Cordeiro porque o ‘focus group’ é o mesmo ou é a escola que é a mesma?
– A oposição, fora da Assembleia Regional, anda a fazer renda ou crochet?
– o PSD que se tem insurgido na Assembleia da República contra a inactividade do governo, face à descontaminação na Terceira, é o mesmo que não ligou patavina ao problema quando esteve no governo?
– A Câmara de Ponta Delgada, que atribuiu um grosso subsídio para as obras do coro baixo do Santuário da Esperança, vai também ajudar as obras das outras Igrejas das restantes freguesias do concelho?
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UMA EFEMÉRIDE – Vai fazer agora um ano que escrevi esta crónica:
“Os parceiros sociais foram confrontados no final da semana passada com um balde de água gelada, própria desta estação invernosa.
Vasco Cordeiro entregou-lhes as antepropostas do Plano Regional para 2017 e as Orientações de Médio Prazo 2017-2020, confirmando-se o que há muito se desconfiava: grande parte do bolo regional está cada vez mais destinado à monstruosa máquina administrativa que se instalou nestas ilhas, diminuindo o investimento público para ajudar a criar riqueza e empregos.
O segundo governo de Vasco Cordeiro, desde que foi eleito, está a cumprir um trimestre de mandato e ainda não se conhece uma medida de investimento estruturante para os Açores, uma orientação que fomente as actividades económicas ou algo inovador que nos dê esperança na aplicação dos novos fundos comunitários até 2020.
As nossas ilhas precisam de investimento como de pão para a boca, mas os únicos aumentos de financiamentos que assistimos é na máquina pública improdutiva, que se estende desde o falido sector empresarial público regional até ao próprio parlamento, o tal que reúne cada vez menos, mas gasta cada vez mais.
Por exemplo, há um projecto fundamental na área do futuro energético, para o qual o governo regional não disse, até agora, nenhuma palavra, mas o governo da república é que nos vai informando.
O silêncio do lado de cá é tão estranho, que não se percebe se a Região está a ignorar o projecto em nome de outros interesses ou se faz de conta que não ouviu nada, porque não tem capacidade para se envolver num projecto desta envergadura.
Trata-se da instalação do gás natural (GNL – Gás Natural Liquefeito) nos portos dos Açores, uma ideia que defendi há mais de um ano numa destas crónicas, na sequência de outras propostas avançadas por especialistas e empresários da nossa Região.
A Ministra do Mar anda a percorrer os portos do continente a anunciar avultados investimentos nesta área e já se referiu, por mais de uma vez, que quer incluir neste projecto os portos dos Açores.
Trata-se de uma estratégia que já devia estar em andamento há um bom par de anos, com vista a colocar o nosso país numa das principais portas de entrada do Atlântico para o abastecimento da frota de navios com gás natural.
Os Açores, como todos sabemos, estão numa posição estratégica única nas estradas oceânicas, entre continentes, podendo desempenhar nesta área um autêntico posto abastecedor de nível mundial.
A ministra Ana Paula Vitorino explica melhor: “O mercado do GNL marítimo, ou seja, aplicado ao abastecimento de navios movidos por esta fonte energética, é um fenómeno emergente, a nível mundial. Ainda não existem cenários quantificados rigorosos sobre que dimensão poderá tomar. Apesar disso, a informação disponível permite descortinar algumas tendências que apontam para uma actividade que poderá ser muito benéfica para a economia nacional em termos de valor material e ambiental (…) Nos últimos quatro meses tivemos conversações com diversas empresas dos Estados Unidos da América, França e Holanda. Ainda estamos numa fase exploratória, mas a motivação dos investidores é forte”.
Com um cenário em que os organismos internacionais prevêem que o gás natural passe a dominar cerca de 50% do mercado mundial neste sector, é natural que a aposta do nosso país “tem de configurar a sua rede de abastecimento marítimo GNL em linha com estes sinais de mercado, de forma a retirar o máximo valor do seu potencial geoestratégico: ser uma área de serviço de GNL para o Atlântico e um hub competitivo re-exportador de GNL”, explica ainda a ministra.
E conclui: “Este é um sinal concreto do potencial de negócio da centralidade euro-atlântica de Portugal. Além disso, temos um potencial de mercado interno muito interessante se o GNL for utilizado nas ligações marítimas oceânicas entre Portugal Continental e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira”, avança Ana Paula Vitorino.
Então, se é assim, como é óbvio para quem olha o mundo para a frente, de que maneira estão os Açores a preparar-se para esta aposta?
Em que portos vão ser construídos os depósitos para armazenamento do GNL? Praia da Vitória? Ponta Delgada? Ou outros? Quem irá tomar conta deste negócio? O governo regional, a EDA, a SAAGA, o Grupo Bensaúde? Ou vai ser lançado concurso público? A EDA vai aproveitar o gás natural para termos energia mais barata? As indústrias e empresas açorianas terão acesso a ele?
Alguém vê ou sente o governo regional mexer-se para este cenário?
Ana Paula Vitorino é que revela que os Açores estão incluídos neste projecto, assegurando também o transporte marítimo entre Açores e Continente por navios abastecidos por GNL.
“Pretende-se ainda que este plano de acção assegure um contributo para a descarbonização da electricidade da Madeira e dos Açores. O uso do GNL como fonte energética de base para a mobilidade marítima entre o Continente e as Ilhas permitirá criar uma viabilidade económica para a substituição do fuel pelo gás natural na produção de electricidade nos mercados da Madeira e dos Açores”.
Lemos isto na imprensa nacional e é para ficarmos boquiabertos.
Mais uma vez, tal como aconteceu com a liberalização dos transportes aéreos e a introdução das operadoras low-cost, é preciso alguém da república vir ensinar como se faz e como se enfrenta o futuro.
Se for por cá, continuamos a marcar passo”.
Um ano depois, ainda continuamos sem saber qual é a estratégia do governo regional sobre o gás natural, que se ficou, por agora, com um anúncio de um ‘bunkering’ na Praia da Vitória e camiões cisternas em Ponta Delgada…
Mais um ano perdido.
Novembro 2017
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-A, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)

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