A Alegria do Encontro

A Alegria do Encontro

Dez 16, 2016 | Carta ao Menino Jesus, Carta ao Menino Jesus I

Por D. João Lavrador*

Meu Querido Menino Jesus,

Em cada ano, sou convidado a vir ao encontro do presépio onde Tu nasceste. Tal como aconteceu com os pastores e com os magos, também eu quero escutar este apelo do Anjo para me deslocar até junto da manjedoura onde Te posso encontrar.

Na verdade, Menino Jesus, eu preciso de continuar a encontrar-Te na minha humanidade para estabelecer contigo uma relação de amizade e de comunhão cada vez mais profunda. Por isso, começo por Te pedir que me ajudes a deslocar-me do meu comodismo, das minhas expectativas tantas vezes vazias, dos meus pensamentos pequenos e tão limitados, das ténues prisões que me retêm, da fé que não confia para me lançar no caminho que se dirige até à Tua pessoa.

Reconheço Menino Jesus, porque assim me foi anunciado, que para Te encontrar tenho de me preparar para uma enorme surpresa porque Tu estás envolto em panos e reclinado numa manjedoura. Sim, quanta surpresa Tu nos ofereces na Tua presença humilde, simples e pobre.

Peço-Te que me ajudes a revestir-me das condições para uma verdadeira sintonia Contigo. Para Te reconhecer no verdadeiro mistério que Te envolve também eu necessito de me despojar de mim próprio e revestir-me de Ti. É assim o Amor.

Estou ansioso por me colocar perante Ti e deixar-me envolver pela Tua ternura de criança, pela Tua beleza de recém nascido, pelo Teu Amor divino. Quanto desejo fascinar-me pela Tua misericórdia presente na humildade do Teu ser.

Quero pedir-Te desculpa porque não te vou levar nem ouro, nem incenso nem mirra, como fizeram os magos. Levo-te a minha pessoa com todos os sonhos e limitações, projectos e incapacidades, alegrias e apreensões; acompanha-me toda a diocese de Angra, com os seus sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, consagrados(as), famílias, seminaristas, crianças, jovens, idosos, doentes em casa e nos nossos hospitais, pobres, os presos das nossas prisões, excluídos e os que estão na diáspora.

Provavelmente não caberemos todos na singela gruta onde Tu nasceste, mas sei que encontramos todos lugar no Teu coração.

Meu muito querido Menino Jesus, certamente que na volta cada um se dispersará para anunciar a alegria do encontro Contigo, mas peço-Te que me deixes estar mais algum tempo contigo para saborear demoradamente a beleza do Teu ser e deixar-me inundar da ternura do Teu Amor, mas sem impedir que muitos outros possam entrar para Te contemplar.

Tal como aconteceu com os Magos, também regressarei por um caminho novo guiado pela luz da Tua estrela, e como aconteceu com os pastores coloca nos meus lábios o cântico de louvor exaltando a glória de Deus e a paz para todos os homens.

Coloco no Teu terno Ser, onde se encontram Deus e o Homem, o meu agradecido ósculo e permite-Me que saúde reconhecidamente a presença de Tua e Nossa Mãe, Maria de Nazaré, e de S. José que Te acompanham e que em nosso lugar cuidam de Ti.

Do teu

*Bispo de Angra e das Ilhas dos Açores

(O título é da responsabilidade do IA)

Ler Mais em: Igreja Açores

ARTIGOS RELACIONADOS